quinta-feira, 20 de novembro de 2008

CONSCIÊNCIA RUIVA


As personagens de novelas estão melhorando para os negros. Se você é a favor ou não das cotas não importa; o que importa é que elas estão aí: colaborando para a manutenção do crescimento do negro na sociedade. O princípio da isonomia diz que, para os desiguais, tratamentos com desigualdade. Esta é à base do sistema de cotas e também da lei Maria da Penha. A mesma lei que dizem que vai punir o Dado Dolabela pelas agressões desferidas a Luana Piovani. Eu não acredito.

A mulher é desigual e o negro também. A mulher passou anos sem o direito ao voto, sem participação política, sendo oprimida por uma sociedade machista. E o negro, que após sua escravidão, recebeu uma abolição sem diretos, sem emprego, sem estudo, ou qualquer ajuda para adquirir condições necessárias ao seu crescimento dentro da sociedade.

– Liberta, pois a escravidão não dá mais lucro e precisamos de mercado consumidor pensavam os barões da época. – O que vamos oferecer a eles, os negros, como sobreviverão? Perguntava um lacaio ao seu barão. O barão responde com um leve sorriso no canto da boca: – Dei-lhes subempregos. E é assim até hoje. A história todo mundo conhece, mas a pesquisa eles dizem que é nova: O jornal O Globo noticiou esta semana que o negro no mercado de trabalho possui o menor salário brasileiro.

Eu sei que hoje é dia da consciência negra, mas os negros que me desculpem. Existe uma pergunta que não quer calar: cadê a cota pra ruivo? Estamos bombando, eu sei. Vamos chegar juntinho da popularidade de Barack Obama. Porém, vamos continuar em nosso movimento para não deixar a nossa peteca cair. Vamos criar nossa própria música, tão boa quanto o samba de raiz criado pelas misturas étnicas. Ah! Precisamos também desenvolver um Funk ruivo. Um bom, com letras bacanas, do tipo: “Eu só quero é ser feliz, manter tranqüilamente as sardas em meu nariz, é! E poder me orgulhar, de ter os cabelos vermelhos todos em seu lugar”. Não gostou?Vou pensar em algo melhor.

Certamente, no início, receberemos críticas.Mas, depois, a indústria cultural vai querer morder um pedacinho do bolo e, logo, logo, teremos artistas e jornalistas dessa cidade partida, de Zuenir Ventura, balançando seus popotes não-ruivos. Eu vou ser um deles.

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